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Natura Lia
Natura Lia - Herbal Harmony
Narrativa Autobiográfica
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O meu percurso nasce da experiência direta com os limites do corpo e da vontade de os transformar. Em criança e adolescente, vivi a fragilidade física e a sensação de não ser “capaz” no domínio do movimento.
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Foi aí que surgiu uma força que me acompanha até hoje: o “eu consigo”. Não como prova externa, mas como processo interno de transformação — passar do fraco ao forte através da prática, da disciplina e do respeito pelo ritmo do corpo.
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O Fogo marcou essa primeira fase da minha vida. Foi o impulso, a persistência e a vontade de superar dificuldades reais.
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O desporto devolveu-me força, resistência e confiança, ensinando-me que a transformação é possível mesmo quando não parece provável.
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Durante muitos anos, foi através do corpo e do treino que aprendi resiliência, compromisso e presença, não para competir, mas para provar a mim mesma que a fragilidade não define um destino.
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Com o tempo, essa energia começou a pedir profundidade. Entrei então no território da Água, talvez o mais exigente do meu percurso.
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Foi aqui que me embrenhei nos estudos da sociologia, movida pela necessidade de compreender o sofrimento humano, o mal-estar do mundo e as estruturas que o sustentam — as instituições, os sistemas sociais e as dinâmicas de poder.
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Não procurava respostas abstratas, mas entendimento real: precisava perceber como o mundo se tinha tornado no que era e porquê.
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Esse mergulho foi também uma forma de sobrevivência emocional. Num contexto onde a corrupção, a incoerência e os sistemas falhados se tornavam cada vez mais visíveis — e nos quais nunca consegui verdadeiramente encaixar — compreender tornou-se essencial para não me perder.
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A sociologia ajudou-me a ganhar posicionamento, discernimento e limites, permitindo-me navegar sem me diluir nem endurecer, mesmo quando as águas da vida pareciam demasiado densas ou caóticas.
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Dessa travessia entre sentir e compreender emergiu o Ar. A necessidade de refletir, organizar pensamento e dar linguagem ao vivido levou-me a integrar conhecimento, símbolo e consciência.
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O estudo das plantas medicinais, dos elementos da natureza e dos seus paralelos no ser humano abriu uma nova camada de entendimento — mais subtil, mas profundamente concreta.
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Através de workshops, caminhadas de forragem e partilha de saberes, comecei a traduzir experiência em compreensão acessível.
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Esse percurso culminou naturalmente num ciclo de meditações alinhadas com os quatro elementos — Terra, Água, Fogo e Ar — encerrado com uma quinta meditação de integração.
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Um espaço de reflexão, contemplação e síntese, onde os ciclos da natureza serviram de ponte para compreender os ciclos internos, não apenas a nível emocional ou energético, mas também mental, simbólico e existencial.
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Hoje, o meu trabalho assenta sobretudo na Terra. Criar espaços enraizados, conscientes e seguros onde o conhecimento é vivido, não apenas transmitido.
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Espaços onde corpo, mente e natureza dialogam, e onde cada pessoa é convidada a reconhecer o seu próprio ritmo, os seus limites e a sua forma singular de estar no mundo.
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Continuo a mover-me, a criar e a ensinar, mas já não a partir da necessidade de provar capacidade ou resistência. A experiência ensinou-me a integrar ação e compreensão, esforço e escuta.
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O movimento permanece como parte essencial da minha vida, agora vivido com mais consciência e respeito pelos ritmos naturais, ao serviço da integração, da presença e de uma relação mais alinhada com os ciclos da vida.
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